Às vezes a gente se acostuma com a dor.

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Há algumas semanas estou sentindo uma dor muito forte. Muito forte mesmo. Tão forte que, para eu dizer que está doendo é porque está doendo mesmo. Não costumo reclamar de dor e nem sou de tomar remédio. Geralmente espero passar, mas agora estou aceitando todas as indicações hahaha

Mas não quero que você se preocupe com isso, não precisa me passar indicações ou recomendações. Já estou em tratamento médico e vou sobreviver.rs

A questão é que, nos primeiros dias, eu fiquei de cama, só me levantei para ir ao banheiro e quando estava realmente com fome. Se a fome não estivesse matando, eu ainda esperava, para não sair da cama e sentir mais dor.
Reparei que fiquei dois dias sem tomar banho, para você ter uma noção.
Mas já estou limpinha e cheirosinha haha

Agora, já na terceira semana de dor, saio da cama, estou saindo de casa até, arrumo meu quarto, e olha só, estou aqui, em frente ao computador escrevendo este texto. Ainda estou com dor, até dores fortes, mas já consigo lidar.

Reparei que se não me acostumar com a dor, enquanto não encontrar a causa, não vou viver. Não aguento ver meu quarto todo bagunçado, não estava aguentando ficar na cama o dia inteiro, não estava aguentando ver minha mesa toda cheia de pó e meu trabalho travando.

Se eu quiser agir, vou ter que me acostumar a me mexer e sentir dor, caso contrário, serei uma inválida e vou me arrepender muito mais por ter “parado no tempo”.

Quando comecei a refletir sobre o fato de que, até ontem, minha irmã estava me ajudando a vestir minha calça e hoje, empurrei meu colchão para esticar o lençol. A gente que escolhe com o que a gente quer se acostumar.

Pensando no que a gente sempre fala aqui no Dica pra hoje, sobre fazer acontecer, colocar em prática, ter atitude, pra mim fica muito claro que tem gente que se acostuma com suas dores, mas não necessariamente com as mesmas dores; e umas são bem-sucedidas e outras caem no fracasso.
Gostaria de te convidar a refletir e descobrir sobre qual dor você tem se acostumado:

  1. Dor de ceder à dor:
    Eu poderia ficar deitada na cama, esperando a dor passar, ver meu quarto ficando cada vez mais sujo, roupas jogadas no chão porque não consigo abaixar para pegá-las, pó acumulando sobre minha mesa, etc. E se alguém entrasse no meu quarto e soubesse do meu estado, iria compreender. Iria falar que realmente é melhor que eu fique deitada, e tal.
    Só que, mesmo tomando remédio, mesmo fazendo alongamento, mesmo com tratamento, a dor não vai embora na mesma hora, nem no mesmo dia, sendo assim, até quando eu deveria ficar deitada enquanto a vida acontece ao meu redor?
    Um dia eu teria que encarar meu quarto, eu teria que encarar a dor de me movimentar. E o pior é postergar e depois lidar com tudo em atraso, ou seja, dez vezes pior do que se eu tivesse feito pouco a pouco, conforme minhas limitações.
  2. Dor de me mexer:
    Nesta terceira semana de dores decidi que não posso me atrasar na vida, deixar de gravar, deixar as ideias passarem e simplesmente ficar lendo deitada o dia inteiro.
    Comecei a perceber que não preciso agir com a mesma energia e força que agiria se estivesse sem nenhuma impossibilidade física, mas é até mais saudável continuar vivendo.
    Dói me mexer? Dói. Dói mudar de posição, claro que sim! Dói sentar aqui para escrever este texto? Também dói! Mas vale a pena? Com certeza vale! Não trocaria por 1 segundo deitada.

Você precisa escolher qual é a dor que você consegue lidar: A dor de ceder à dor e ter de lidar com o fato de que não está fazendo nada da sua vida e que, quando tiver que encarar este fato irá sofrer dez vezes mais ou a dor de se mexer e de ter de diminuir seu ritmo, mas ver que finalmente as coisas estão acontecendo, o quarto está mais arrumado, o lençol esticadinho e a dor não te engoliu.

Quero deixar bem claro que a dor que sinto, embora física, levo para sua reflexão de forma figurada: O que você tem escolhido? Em ambos os casos, a justificativa é real e faz sentido, mas desculpa nenhuma que você dê, vai te isentar do fato de que você terá de encarar sua decisão.

A dor é inevitável. Escolha como lidar.

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